Flávio Bolsonaro e o marqueteiro que não aparece
Em campanhas presidenciais, há uma regra não escrita: ninguém chega longe sem um bom marqueteiro. Estratégia, discurso, imagem pública tudo passa por esse filtro. É por isso que, nos bastidores de Brasília, um detalhe específico tem chamado atenção: Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu fechar com um nome forte para comandar sua comunicação política.
Pode parecer um problema menor, mas não é.
Na política brasileira, a ausência de um estrategista de marketing costuma dizer mais do que discursos públicos. E, no caso de Flávio, esse silêncio começa a gerar ruídos.
Uma pré-campanha que não engrena
Flávio Bolsonaro é senador, tem sobrenomes conhecidos em todo o país e ocupa espaço constante no debate político. Ainda assim, sua pré-campanha enfrenta dificuldades práticas: falta coordenação clara de comunicação, identidade definida e uma narrativa que vá além da herança política do pai.
Aliados reconhecem que o projeto precisa ganhar forma. O problema é que o profissional capaz de estruturar essa virada ainda não foi encontrado ou aceitou o desafio.
Em campanhas competitivas, o tempo é ativo político. E o relógio não para.
Por que encontrar um marqueteiro virou um desafio
Segundo relatos de bastidores publicados pela imprensa, o entrave não é apenas financeiro ou técnico. O desafio é estratégico.
O marqueteiro ideal teria que:
- reduzir a alta taxa de rejeição associada ao nome Bolsonaro;
- ampliar o diálogo com eleitores fora do núcleo ideológico mais fiel;
- construir uma imagem menos reativa e mais institucional;
- e, ao mesmo tempo, não romper com a base bolsonarista, que exige identidade clara.
É um equilíbrio delicado e poucos profissionais aceitam entrar em uma campanha onde o risco de desgaste é alto e a margem de manobra é limitada.
A sombra do sobrenome
O sobrenome Bolsonaro é, ao mesmo tempo, força e obstáculo.
Enquanto Jair Bolsonaro mobiliza uma base fiel, também carrega rejeição significativa. Para Flávio, o desafio é se apresentar como mais do que “o filho do ex-presidente”, sem perder o apoio desse eleitorado.
Essa transição exige narrativa, símbolos e estratégia exatamente no terreno onde um marqueteiro atua. Sem isso, a campanha fica refém de improvisos.
Comparações internas e pressão política
Nos bastidores do campo conservador, comparações são inevitáveis. Outros nomes, como governadores e ex-ministros, aparecem melhor posicionados em pesquisas internas e contam com estruturas de comunicação mais profissionais.
Isso aumenta a pressão sobre Flávio. A dificuldade em montar equipe e palanques regionais passa a ser vista não como detalhe, mas como sinal de fragilidade política.
Em campanhas presidenciais, a percepção importa tanto quanto os números.
O que esse episódio revela
Mais do que um problema individual, a dificuldade de Flávio Bolsonaro revela três pontos centrais:
- campanhas modernas dependem de estratégia profissionalizada;
- o bolsonarismo enfrenta o desafio de se reinventar sem romper com sua base;
- nomes fortes politicamente não estão imunes a isolamento estratégico.
A ausência de um marqueteiro não é apenas falta de um cargo preenchido, é ausência de rumo claro.
Por que esse assunto ainda vai render
Enquanto a escolha não acontece, a pré-campanha segue em compasso de espera. E, na política, vácuo costuma ser ocupado por adversários.
Se Flávio Bolsonaro conseguir resolver esse impasse, pode reorganizar sua imagem e ganhar tração. Se não, corre o risco de entrar no jogo grande já em desvantagem.
ConclusãoEm eleições, nem sempre quem fala mais vence. Mas quase sempre vence quem sabe exatamente o que dizer e como dizer.
Quer continuar entendendo como os bastidores do poder impactam o cenário nacional? Acompanhe nossas próximas análises e fique por dentro das movimentações políticas que definem o futuro do país.

